Fenômenos da era dos blogs, os nova-iorquinos do Vampire Weekend aproveitam o sucesso quase instantâneo na primeira turnê mundial da banda
Leia a entrevista com o tecladista Rostam Batmanglij
O conceito de sucesso no mundo da música em 2008 é bem diferente do que era até o início do século XXI. Ter uma discografia extensa, prêmios na prateleira e discos de platina não são mais os únicos sinais de que uma banda atingiu os patamares da fama. Que o digam os integrantes do Vampire Weekend – banda nova-iorquina que lançou o primeiro álbum há apenas quatro meses, mas que já faz uma turnê mundial com ingressos esgotados, do Canadá à Alemanha.
Na verdade, a fama do grupo começou a se espalhar começou muito antes do disco de estréia. A banda pode ser incluída em um fenômeno conhecido como blog band. A Internet virou uma ferramenta de divulgação tão importante que bastam algumas citações em determinados sites para alçar um artista à fama. Em outubro de 2006, as batidas afro-pop do Vampire Weekend foram tema de uma breve menção no blog “Benn loxo du taccu”, especializado em música africana. No início do ano seguinte, o cultuado site “Stereogum” classificou o quarteto como uma das promessas da música para 2007.
“Eu acho que isso aconteceu porque as nossas músicas estavam disponíveis desde cedo em uma forma quase acabada”, explica, em entrevista ao autor, direto de Hamburgo, o tecladista e guitarrista Rostam Batmanglij. “Nós não ficamos surpresos que as pessoas tenham ficado entusiasmadas com uma banda que tinha dez músicas prontas disponíveis na Internet (mas que não deveriam estar)”.
A história da banda começou há dois anos, quando Rostam, o vocalista Ezra Koenig, o baixista Chris Baio e o baterista Christopher Tomson se reuniram para fazer o primeiro ensaio do Vampire Weekend na Columbia University, em Manhattan. Foi o próprio Rostam quem gravou as faixas que foram parar na Internet algum tempo depois. Baio, que tinha contatos em casas noturnas, agendava os shows. Mesmo sem muita divulgação, cada vez mais gente aparecia nas apresentações e a fama do quarteto se espalhou pela Internet.
“Nós tínhamos um link escondido no nosso site para ouvir as dez músicas que tínhamos gravado. No início, nós só mandamos para os nossos amigos e provavelmente foram eles que vazaram o link para os blogueiros”, conta Rostam.
Banda recebe elogios do “New York Times” antes de lançar o primeiro álbum
É claro que a banda poderia ter sido apenas mais uma promessa nos milhares de sites sobre música que existem por aí, mas, no fim do ano passado, o Vampire Weekend se tornou um pequeno fenômeno nos EUA e na Europa. O “New York Times” publicou uma reportagem elogiosa sobre um show da banda no Brooklyn e a revista “Rolling Stone” listou a canção Cape Cod Kwassa Kwassa como uma das 100 melhores do ano – tudo isso sem que os quatro rapazes tivessem lançado um álbum.
O som eclético e excêntrico que passava de computador em computador foi o que chamou a atenção de fãs e de críticos respeitados. Pudera: um grupo de rock independente que se diz inspirado em música étnica africana não é algo que se vê todos os dias.
“Nós quatro ouvíamos música africana com nossos pais quando éramos crianças”, explica Rostam. “Depois, nós encontramos discos africanos em vendas de garagem. Foi durante a faculdade que nós começamos a gostar de verdade desse estilo e foi assim que nós formamos a banda”.
No som do quarteto também estão presentes ritmos que fazem uma combinação improvável (mas renovadora) com o afro-pop. Nuances do rock dos anos 60 estão em A-Punk, por exemplo. Em M79 – certamente a canção mais sofisticada da banda –, um cravo dá o tom da introdução e o som de um violino permeia toda a faixa, dando a ela um tom barroco incomum à maior parte das bandas de indie rock e indie pop. O arranjo de cordas foi todo feito por Rostam, que estudou piano desde a infância e se confessa um entusiasta da música clássica.
“Quando eu estudei música, eu fiquei animado ao ver o que era possível fazer com instrumentos de cordas e que não era possível fazer com nenhum outro instrumento”, conta. “E nós também somos apaixonados por artistas pop dos anos 60, como Nick Drake, The Zombies e The Kinks, que usam instrumentos clássicos”.
Influências da música brasileira no repertório do quarteto
A mistura de ritmos dá ao som da banda um estilo difícil de definir. Quando perguntado sobre o gênero musical que o Vampire Weekend faz, Rostam brinca e diz que a banda toca dance music. No caldeirão de influências do grupo, o tecladista e guitarrista cita até a Tropicália como exemplo para suas composições.
“Eu amo música brasileira, especialmente a do fim dos anos 60 e do início dos anos 70. Eu gosto dos arranjos de Rogério Duprat em Baby, da Gal Costa, e em Luzia Luluza, do Gilberto Gil”, cita Rostam. “E nós amamos Os Mutantes! A Tropicália tem combinações de música étnica e música clássica que nos inspiram bastante”.
Pouco preocupados com rótulos, os rapazes de 23 e 24 anos aproveitam a fama quase instantânea e já pensam no segundo álbum. Rostam conta que não existe sucesso comercial suficiente que os obrigue a mudar o estilo excêntrico da banda.
“Nós tomamos as nossas próprias decisões e a nossa gravadora nos apóia. Eu acho que muitas pessoas do mercado fonográfico são muito conservadoras. Elas acham você sempre precisa ter um hit parecido com um hit anterior! Mas, na verdade, todos os melhores hits são aqueles que soam um pouco esquisitos. E é isso que nós queremos fazer: hits esquisitos!”
Leia a entrevista completa com Rostam Batmanglij

[...] um dos vídeos do site, por exemplo, os quatro músicos do Vampire Weekend (já favoritos deste blog), se amontoam no banco de trás de uma van com dois violões, um teclado e um ganzá (menos mal) [...]
[...] um dos vídeos do site, por exemplo, os quatro músicos do Vampire Weekend (já favoritos deste blog), se amontoam no banco de trás de uma van com dois violões, um teclado e um ganzá (menos mal) [...]
achei muito legal e sucesso