Publicado originalmente no blog Sub Som
Pela primeira vez desde que foi criado, em 2002, o festival de Bonnaroo, nos Estados Unidos, não conseguiu vender todos os 80 mil ingressos que estavam disponíveis. “Foi por pouco”, disse Rick Farman, um dos fundadores do evento. “Até ficamos felizes, levando em consideração a economia e o preço da gasolina”. O festival de Coachella, que é um dos eventos de música alternativa mais respeitados do mundo, também sofreu: teve queda nas vendas pela primeira vez em muitos anos.
A explicação dos empresários é simples: o Bonnaroo acontece na cidade de Manchester, no interior do Tennessee, e o Coachella em Indio, no deserto da Califórnia. As duas cidades ficam relativamente longe dos grandes centros urbanos e muitos fãs acharam caro demais encher o tanque para dirigir até lá.
A alta do combustível é uma preocupação real para os organizadores de shows no país. A venda de ingressos para grandes eventos diminuiu em junho, de acordo com Randy Phillips, presidente da AEG Live – empresa promotora de shows. “Minha preocupação é com o futuro. Ouvi dizer que o petróleo deve chegar a US$ 200 por barril e se isso acontecer, eu não sei qual o impacto que vai ter no setor”.
O preço do combustível nos postos americanos custa o equivalente a R$ 1,80. O valor ainda está muito longe dos R$ 2,69 que são cobrados no Rio de Janeiro, por exemplo, mas o que assusta os americanos é a escalada dos preços. O valor cobrado pela gasolina subiu 46% nos últimos três anos no país. Se a culpa é dos árabes ou da voracidade das empresas petrolíferas é uma questão à parte.
Alguém que mora perto de Los Angeles, por exemplo, teria que dirigir mais ou menos 410 quilômetros no trajeto de ida e volta para Indio para participar do Coachella, e gastaria 82 litros de gasolina com um carro econômico, desembolsando o equivalente a R$ 150. Não parece nada, se comparado com os R$ 220 que gastaria no Brasil, mas basta ver números históricos pra perceber a preocupação dos americanos. No ano passado, o mesmo trajeto exigiria o equivalente a R$ 100 e, há três anos, R$ 81.
“I drink your milkshake!”
O petróleo em disparada causa problemas até para as próprias bandas. Artistas independentes precisam cancelar shows ou cortar custos, já que os gastos com viagens e transporte de equipamento subiram. Muitos desistem de ficar em hotéis e começam a se hospedar nas casas de amigos nas cidades aonde vão se apresentar.

