
Em 2003, Amy Winehouse era uma apenas mais uma cantora medíocre, com um disco qualquer na praça e que certamente seria esquecida em uma questão de anos. Foi exatamente o que aconteceu. Três anos depois do lançamento de “Frank”, a artista estava no buraco e continuaria lá se não tivesse sido resgatada por Mark Ronson - DJ britânico que começou tocando em festas de Nova York por alguns trocados e se transformou, aos 32 anos, em um dos produtores musicais mais respeitados da atualidade.
O álbum de estréia de Amy mostrava uma cantora que forçava floreios na voz para tentar ser descoberta. As faixas do disco eram carregadas de um jazz de supermercado, cheiravam a canções natalinas e deixavam clara a falta de personalidade da artista. Amy Winehouse poderia ter sido mais uma Corinne Bailey Rae (bonitinha, mas ordinária) se não tivesse passado pelas mãos de Ronson.
A parceria com o produtor praticamente remoldou a artista. Sua voz ficou mais sombria e mais controlada, e o pseudo-jazz se transformou em soul, remetendo ao estilo dos anos 50 e 60. O toque talentoso de Ronson em “Back to Black” (2006), além dos episódios envolvendo álcool, drogas pesadas e um marido criminoso, transformaram a cantora sem sal no maior fenômeno da música pop dos últimos anos.
O sucesso do segundo disco de Amy foi o cartão de visitas que Ronson precisava para se firmar como um produtor de sucesso estrondoso. “Rehab” se tornou um hit instantâneo, que rendeu milhões de dólares a ele e à cantora. De quebra, Ronson ainda ganhou três prêmios na última edição do Grammy: produtor do ano (por “Back to Black”), melhor álbum pop vocal (pelo mesmo disco) e gravação do ano (por “Rehab”).
Nascido em Londres, Mark Ronson se mudou para Nova York com a família aos oito ainos. Ele estudou teoria musical na New York University e começou a trabalhar como DJ em festas de hip-hop da cidade, recebendo 50 dólares por noite. Seus sets ecléticos, influenciados pelo funk, pelo soul e pelo rock britânico fizeram com que ele se tornasse um dos nomes mais respeitados da cidade. Ronson conseguiu receber até a bênção de Bob Dylan depois que remixou “Most Likely You’ll Go Your Way (And I’ll Go Mine)”.
A primeira empreitada do DJ como produtor foi em 2001. O empresário da cantora nipo-americana Nikka Costa se impressionou com os sets de Ronson e o contratou para trabalhar no primeiro álbum da artista, “Everybody Got Their Something”. As vendas foram um fracasso, mas o britânico não desistiu. Ele conseguiu estourar depois que produziu “Alright, Still”, álbum de estréia da britânica Lily Allen. Nesse caso, também teve o papel de “inventar” a cantora. Allen ainda não tinha contrato e mandou uma fita demo para Ronson, que a convidou para trabalhar com ele. Depois de gravado o disco, o single “Smile” chegou quase imediatamente ao primeiro lugar das paradas britânicas, em julho de 2006.
No ano passado, Ronson lançou “Version”, um álbum de covers que vendeu mais de meio milhão de cópias, principalmente graças ao single “Valerie”. O cover da canção da bandia indie britânica The Zutons, cantado por Amy Winehouse, chegou ao segundo lugar das paradas do Reino Unido – desempenho melhor do que qualquer outra canção lançado por Amy.
Além de Winehouse, “Version” teve a participação de artistas como Santogold, Robbie Williams, Kasabian e Lily Allen. Por causa do grande número de medalhões, alguns críticos descreveram o álbum como “nada além de um caça-níqueis”. Foi o segundo álbum que lançou como DJ/produtor. O primeiro, carregado de hip-hop, recebeu boas críticas, mas teve um desempenho inexpressivo nas lojas.
Atualmente, Ronson trabalha na produção do terceiro álbum dos também ingleses Kaiser Chiefs. Assessores de Amy Winehouse também disseram que ela e o produtor já estão trabalhando no próximo disco da cantora-problema. Depois da transformação que conseguiu fazer entre “Frank” e “Back to Black”, Mark Ronson não vai precisar se esforçar muito para produzir mais um grande sucesso. Isso se o álcool, as drogas pesadas e o marido criminoso não acabarem com a carreira de Amy. Resta saber se Ronson também vai conseguir resgatá-la desse buraco.
pô, só repeteco do subsom não dá, né.
o festival do rio já, já chega.
i love mark ronson. ponto.