
O que você lê primeiro quando recebe o jornal em casa? As notícias da sua cidade, do país ou do mundo? Como você se informa sobre o que acontece na sua rua, na sua esquina? O que acontece em um bairro do subúrbio da sua cidade te interessa?
Recentemente, tem-se falado muito que uma das saída para “a crise dos jornais impressos” pode ser o jornalismo hiperlocal – que, em resumo, é a produção de um noticiário exclusivamente sobre a área em que ele vai ser lido ou assistido: o que acontece na esquina, o buraco na sua rua, a história do seu vizinho que foi assaltado. A ideia é exacerbar o valor-nótícia da proximidade para consolidar um público fiel: um fato que acontece perto do leitor teria sempre mais importância do que qualquer coisa que acontece no Camboja.
Escrevi alguns comentários sobre esse assunto no blog do Alec Duarte, do Webmanário, e ele deu uma explicação interessante sobre esse fenômeno: como o jornal de papel tem alcance e distribuição limitados, deveria tratar de assuntos locais já que é ali que ele vai ser lido. Na web, o acesso é universal e o interesse dos internautas tende a ser mais diversificado.
Eu, na verdade, tinha dado uma sugestão completamente diferente. Minha teoria não comprovada era de que o noticiário local tenderia a ser suprido por sites e blogs, enquanto os jornais impressos passariam se dedicar ao noticiário nacional e internacional. Pode não fazer muita lógica, mas a explicação é simples: a web é gratuita e tem um espaço virtualmente ilimitado tanto para a publicação de conteúdo quanto para a criação de veículos,o que permitiria que cada cidadezinha, cada bairro e cada rua possam ter um blog para a divulgação de notícias. A web também é a única plataforma que permite uma interação imediata entre os leitores interessados em colaborar, pedir mais informações e denunciar os seus problemas, fazendo um crowdsourcing mais abrangente.
Além disso, os jornais impressos podem sim virar veículos exclusivos de noticiário nacional e internacional. Em vez de desaparecer, os grandes veículos nacionais se fortaleceriam com a ampliação da tendência de publicar mais análises, comentários e reportagens especiais, virando uma espécie de revista diária. Jornais locais podem mesmo desaparecer, mas os grandes, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, devem sobreviver, já que estão longe de ter um alcance limitado.
Vale destacar uma pesquisa do Pew Research Center, indicada pelo próprio Webmanário, que diz que “só 43% dos americanos acham que o fim do jornal em sua cidade teria impacto cívico na comunidade”. Ou seja, quase metade dos leitores acham que os jornais impressos não fazem a menor diferença em suas vidas.
O meio não é necessariamente a mensagem, mas vale a pena refletir sobre esse assunto.
Concordo com você, meu caro.
E não é o NYT (RIP-to-be? let’s hope not) que faz questão de mandar correspondente pra tudo o que é canto do mundo, mas começou a cortar matérias no subúrbio de NY?
ótima foto! excelente fotógrafo(a)!
[...] de ter escrito aquele post refletindo sobre o desenvolvimento do jornalismo hiperlocal, fiquei curioso para saber de o jornal mais respeitado do mundo já desenvolvia algum projeto nesse [...]