
So what is The Local?
Short answer: what you want it to be.
Depois de ter feito aquele post sobre o desenvolvimento do jornalismo hiperlocal, fiquei curioso para saber se o jornal mais respeitado do mundo já desenvolvia algum projeto desse tipo. Descobri que o New York Times lançou em março um projeto piloto com dois blogs dedicados a notícias locais de três bairros do subúrbio de Nova Jersey e de dois bairros do Brooklyn. O The Local é uma página descrita pelo próprio jornal como uma experiência, um “site comunitário que vai ser um lugar em que você pode ter acesso notícias, conselhos, entretenimento, ideias e discussões sobre os assuntos que mais interessam a você“.
Na apresentação do projeto, os blogueiros do Times destacaram um dos pontos mais importantes desse novo tipo de informação: fazer jornalismo hiperlocal não é criar um agregador de notícias que caça páginas com reportagens sobre determinada cidade ou região. Significa ler, ouvir, discutir, debater, perguntar, conversar e criar um conteúdo que tenha qualidade não porque foi pensado por um grande repórter, mas porque o seu leitor pediu.
Também é interessante notar que as experiências recentes mais inovadoras do jornalismo na web têm abandonado a noção original de jornalismo participativo, em que se imaginava que o leitor seria o repórter – ou seja, sugeriria a pauta, apuraria a informação, tiraria as fotos e escreveria a reportagem. Agora, o leitor sugere a pauta e dá opinião, mas o trabalho continua nas mãos de um repórter experiente, que tem as fontes, sabe como funciona a cidade e consegue produzir uma boa reportagem em pouco tempo. Eu nem acredito que ter todo o trabalho seja o verdadeiro interesse dos leitores. Você pode cozinhar seu próprio jantar, mas se você puder comer de graça uma comida feita por um cozinheiro profissional, não faria isso? É só escolher o prato.
O site de jornalismo hiperlocal do New York Times também se baseia nesse conceito. “Nós queremos que você nos diga o que fazer”, escreveu Tina Kelley, editora do blog de Maplewood, Millburn e South Orange. “Vamos fazer perguntas para as autoridades e receber as suas perguntas e comentários. Vamos conseguir as informações. E se não conseguirmos, vamos explicar o que fizemos, passo a passo, e por que não conseguimos chegar lá. E então vamos pedir a sua ajuda para encontrar outros caminhos”.